• by Brunelson

Tom Morello: "viemos de uma época em que o rock era mais mítico"


O guitarrista, compositor e ativista político, Tom Morello, implacavelmente vive uma vida elétrica e fascinante.

Ele participou/participa de bandas como RAGE AGAINST THE MACHINE, AUDIOSLAVE, PROPHETS OF RAGE e até se juntou a Bruce Springsteen para fazer uma turnê americana completa - além do seu trabalho solo.

Ele viajou pelo mundo várias vezes, já gravou/participou em 19 álbuns de estúdio e atualmente está trabalhando em seu 20º disco. Formado na faculdade de Harvard, ele falou sobre protestos pelos direitos humanos e as bandas que vivenciou, em recente entrevista para o jornal de sua cidade atual, Los Angeles Daily News.

Agora, o músico de 56 anos reflete sobre a sua vida e carreira em um livro de memórias de fotos de capa dura, intitulado: “Tom Morello: Whatever It Takes”, que será publicado em 27 de outubro de 2020. “Tenho pensado em fazer isso há algum tempo e na minha vida como músico e ativista, é um mosaico muito bizarro, indo de bandas de heavy metal da Universidade de Harvard a um trovador folk na linha de frente dos protestos em torno do mundo”, disse Morello durante a entrevista que ele concedeu ao jornal por telefone, onde numa certa hora ele foi repreendido pelos seus próprios filhos que ainda frequentam a escola, por ser muito barulhento em casa quando está treinando guitarra. “Eu também tive a sorte de estar em bandas com grandes vocalistas e frontmen, como Zack de la Rocha no RAGE AGAINST THE MACHINE, Chris Cornell no AUDIOSLAVE, Chuck D e B-Real no PROPHETS OF RAGE e Bruce Springsteen. No dia-a-dia, estou apenas vivendo essa vida, mas quando comecei a montar nessa onda, era muito diversificado tanto em experiências musicais quanto em ativismo político”. Morello vasculhou os seus próprios arquivos em busca de fotografias e memorabilia para incluir no livro, incluindo notas escritas à mão, letras de músicas, setlists de shows importantes, fotos e histórias de bastidores. Ele decidiu publicar tudo, até as fotos embaraçosas de estilos de cabelo selvagem à escolhas de moda questionáveis. “Essas fotos são as que mais me orgulho”, disse ele com uma risada. Uma de suas fotos favoritas no livro é uma desbotada dele sentado orgulhosamente no sofá estampado na casa da sua mãe nos anos 70, segurando uma foto de um show do KISS em 1977 no estádio de baseball do Chicago Cubs, exibindo uma expressão de pura alegria no rosto. “Foi um momento revolucionário”, disse ele. “Essa foi uma época em que o rock era mais mítico, sabe? Hoje em dia, nos feedbacks que temos em rede social sobre os seus músicos favoritos, você consegue saber até que tipo de camarão eles estão provando hoje".  "Naquela época, havia rumores de uma banda como o KISS. Como se eles cuspissem sangue e o cara realmente mordia a língua em cada show? Mesmo que o meu assento estivesse atrás de um poste no final da rua naquele primeiro show que assisti do KISS, ainda assim me fez viver, cara”. Morello também comentou sobre todas as guitarras que já teve. A primeira foi uma guitarra Kay de U$ 50 dólares que ele comprou numa loja em sua cidade natal, Libertyville, Illinois. O balconista da loja zombou dele por isso.  Ele tem guitarras nas quais dedicou mais de 20 mil horas de tempo de execução e outras "especiarias", incluindo a sua famosa guitarra Frankstein "Arm The Homeless" do RAGE AGAINST THE MACHINE e a outra guitarra "Soul Power" que ele cadenciou no AUDIOSLAVE.

Após a separação da sua banda de garagem em Los Angeles, LOCK UP, Morello fundou o RAGE AGAINST THE MACHINE com Zack de la Rocha em 1991. O livro mergulha fortemente nos primeiros dias da banda, que se tornou um dos maiores e mais influentes grupos de rock dos anos 90. Eles se separaram em 2000 com 04 álbuns de estúdio, se reuniram brevemente entre 2007 e 2011 (nada de lançamentos inéditos), antes de entrar em hiato novamente. Embora os fãs estivessem convocando o quarteto politicamente ardente para se reunir em 2016 - durante o que acabou sendo um ano eleitoral controverso - isso não aconteceu... Em vez disso, Morello, junto com o baterista e baixista do RAGE AGAINST THE MACHINE e AUDIOSLAVE, Brad Wilk e Tim Commerford, formaram um supergrupo naquele ano com os vocalistas do CYPRESS HILL e PUBLIC ENEMY, formando o PROPHETS OF RAGE. Lançaram somente 01 EP, "The Party's Over" (2016), e o álbum homônimo de estreia em 2017. PROPHETS OF RAGE já tinha lançado 03 singles do vindouro 2º álbum de estúdio, mas isso não quer dizer que a banda tenha encerrado as atividades... Porque em 2019, RAGE AGAINST THE MACHINE anunciou que voltaria com Zack de la Rocha e sairia em turnê no início de abril de 2020, incluindo apresentações consecutivas como headliner no Coachella Festival, EUA. Devido a pandemia, as datas da turnê foram adiadas até 2021. Morello disse que era bom olhar para trás e relembrar os primeiros dias da banda, antes de seguir em frente com o RAGE AGAINST THE MACHINE - já que eles pegarão a estrada em 2021. “A primeira vez que fizemos um show foi em uma festa numa casa em Huntington Beach”, disse ele. “Os pais de alguém estavam fora da cidade e a primeira música que tocamos foi 'Take The Power Back' (1º disco, 'Rage Against The Machine', 1992). Estávamos todos empolgados, tocando com o dobro da velocidade e quando a levada empolgou a galera, havia um enorme poço giratório acontecendo na sala de estar e as pessoas estavam destruindo armários e outros enfeites”. Entre o primeiro hiato do RAGE AGAINST THE MACHINE, Morello, Wilk e Commerford se juntaram a Chris Cornell e formaram o AUDIOSLAVE. Existem várias páginas no livro que detalham os 06 anos de existência da banda, incluindo uma foto do primeiro show em Los Angeles no Almost Acoustic Christmas da rádio KROQ, realizado no Universal Amphitheatre em 2002.  Morello também dedicou algumas páginas em memória à Cornell e incluiu um poema que escreveu para Cornell na noite em que o cantor faleceu em 2017. “A sua morte é algo difícil a cada dia que passa...”, disse ele. “É uma cicatriz que não desaparece, sabe? Chris poderia criar uma melodia linda ou assustadora do éter. Quer fosse uma progressão de acordes simples ou um riff complicado e pesado, ele simplesmente inventava as coisas sem esforço nenhum. Ainda temos toda aquela música, mas sinto falta dele todos os dias”. Para finalizar, uma das homenagens mais doces do livro é para a mãe do guitarrista, Mary Morello. Ela foi professora do ensino médio por 30 anos e também ativista. Mary está agora com 97 anos e há muito tempo apresentou as bandas do seu filho nos shows, sempre anunciando: "Por favor, deem as porras de boas-vindas à melhor banda do universo!" “Ela foi legal pra caralho, sabe?”, Morello escreveu no livro. “Fiquei orgulhoso de começar a subir no palco com o agito da galera, enquanto ela saía do palco ao som de sirenes uivantes".

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