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  • by Brunelson

Taylor Hawkins: uma vez ele explicou como era o processo de criação no Foo Fighters


O falecido baterista do FOO FIGHTERS, Taylor Hawkins, foi um dos melhores maestros rítmicos da era contemporânea, fundindo o poder e habilidade técnica de John Bonham (baterista do LED ZEPPELIN) com um ouvido aguçado para composição.


Possuindo todos os elementos necessários para ser considerado uma lenda da música - além de sua natureza consistentemente amigável - tudo isso tornou a morte prematura de Hawkins em março de 2022 um golpe duro de aceitar.

Apesar desse contexto trágico, Hawkins deixou um legado incrível com os seus esforços criativos que falam por si só, mas ele também possuía um grande caráter com uma estampa nítida de pulsão de vida, chegando aos 50 anos de idade sendo um personagem jovial no difícil mundo do rock and roll.

E além de ter sido um "matador" sorridente na bateria, Hawkins era um músico estudioso e sempre tentando se aprimorar.

Ao ser entrevistado pela revista Modern Drummer em 2011, Hawkins concedeu uma declaração convincente descrevendo as suas influências, estilo e regime de treinamento. Em determinado momento da conversa, ele também definiu o som do FOO FIGHTERS, explicando como eles abordavam as criações das músicas no estúdio e o seu entendimento compartilhado com o frontman e com o baixista da banda, Dave Grohl e Nate Mendel.

Foi perguntado a Hawkins se na hora em que eles entram no estúdio para gravar um álbum, é somente ele e Grohl que se reúnem primeiro e começam estabelecendo uma faixa rítmica básica para as ideias musicais, ao que ele respondeu: “Sim. Acho que a razão pela qual Dave e eu começamos nos reunindo primeiro, é porque somos bateristas. Além dele ser um incrível guitarrista e compositor, Dave se identifica tanto com a bateria quanto com qualquer outra coisa... Se não mais do que qualquer coisa”.

Hawkins acrescentou: “Ele consegue expressar as suas ideias segurando uma guitarra e se comunicando comigo como baterista e isso cria a base da música. Dave pode dizer qualquer coisa, tipo: ‘Toque uma batida no estilo das bandas da gravadora Motown’, e podemos nos comunicar muito bem dessa forma. Isso o ajuda a ser capaz de resolver o arranjo que ele tem em sua cabeça e é quase como se eu fosse a sua bateria eletrônica para ele manusear da forma que imagina”.

E nesse momento o objetivo é focar na guitarra do vocalista?

“Sim, Dave gosta muito do ritmo dos riffs sincronizados com a bateria”, explicou Hawkins. “Esse nem sempre é o caso do rock. Muitas vezes o baterista toca algo exagerado, mas no FOO FIGHTERS, Dave gosta do simples e que a bateria e o riff da guitarra estejam bem encaixados”.

“Dave virá com uma ideia para um riff de guitarra”, revelou Hawkins sobre o processo criativo. “Ele terá uma sequência de acordes ou uma melodia e cantará para mim o refrão ou uma ideia para os versos. Vou tentar ritmos ou ideias diferentes com as ideias dele. Pode durar umas 02 tentativas? Ou meia hora? Então, trabalharemos no arranjo e na sensação da música dessa maneira, faremos uma gravação demo para ver como ficou e essa etapa fazemos tudo muito rápido, talvez em meia hora. Dave é muito rápido em criar uma linha de baixo e algumas guitarras base. São gravações demo muito cruas e simples, mas dão a Dave um modelo de como uma música deve soar. Então, ele leva esses arquivos e fitas cassete para casa e elabora a melodia e qual deve ser o arranjo. No outro dia, eu e ele trabalhamos juntos nos arranjos”.

Para reafirmar o que Hawkins acabara de dizer - descrevendo o volume de trabalho que ele e Grohl fazem antes dos outros membros do FOO FIGHTERS entrarem em cena - o jornalista perguntou: “Vocês 02 fazem tudo isso antes do resto da banda entrar para participar?”

Hawkins respondeu: “O som do FOO FIGHTERS é quase Dave e eu sincronizando as coisas e então, Nate Mendel toca a linha de baixo por cima”.

Hawkins concluiu: “Nós fazemos o trabalho de base, então, os outros caras entram e acrescentam pequenos detalhes. Nate flutua com as suas próprias coisas como John Entwistle (baixista do THE WHO), pois ele é muito melódico e é onde a guitarra base de Dave é quase mais uma linha de baixo".




Hawkins era baterista do FOO FIGHTERS desde 1997 e ficou na banda por 25 anos. Seria inevitável dizer o quanto o som do FOO FIGHTERS pode sofrer consequências por parte de criação e sustentação de arranjos musicais sem a presença do fiel parceiro de Grohl nesses momentos embrionários num estúdio, quando toda vez o grupo for iniciar os processos de gravação para um novo disco.


FOO FIGHTERS lançou o seu último álbum de estúdio agora em 2023, "But Here We Are" (11º disco), sendo o 1º sem a participação de Taylor Hawkins.


"Hearing Voices" (Disco: "But Here We Are")


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