• by Brunelson

Smashing Pumpkins: "agora, somos um dos últimos sobreviventes, não é?"


SMASHING PUMPKINS é uma instituição.


De volta com o álbum "Cyr" (10º disco, 2020) e já sendo o segundo álbum com o retorno dos membros originais (somente a baixista D'arcy não voltou), a banda ainda têm algo a provar.


O frontman Billy Corgan está atrás de uma briga, mas o que há de novo nisso?


Em entrevista para a Upset Magazine, Corgan falou: "Uma coisa é você e eu falarmos sobre sermos mal avaliados, mal entendidos ou que as coisas não eram justas, mas as pessoas gostam de provas. É como uma briga, certo? Você pode falar um monte de merda, até você entrar no ringue e socar a pessoa até ela cair no chão… Bom, vamos ver se esta instituição com mais de 30 anos de vida ainda tem força suficiente para derrubar o outro lado mais uma vez".


* Smashing Pumpkins: "não dependemos de velhas músicas para passar o nosso ponto de vista"


* Jimmy Chamberlin: "estávamos loucos e havia drogas", baterista do Smashing Pumpkins sobre os anos 90


Formado em 1988, SMASHING PUMPKINS sempre foi uma força divisora.


Os seus 02 primeiros álbuns, "Gish" (1991, o disco independente mais vendido na história do rock) e o clássico "Siamese Dream" (1993), foram lançados no auge do grunge e viram a banda cortar o gênero temperamental com uma espiritualidade psicodélica. Isso os separou instantaneamente nas avaliações da mídia na época: “Fomos rejeitados por todas as cenas às quais deveríamos pertencer e isso só nos deixou mais furiosos e estranhos”, disse Corgan.


O épico álbum duplo da banda, "Mellon Collie and The Infinite Sadness" (3º disco, 1995), envolveu um pouco de tudo e continua sendo um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos (é o disco duplo mais vendido na história do rock), enquanto os sucessores álbuns, "Adore" (4º disco, 1998) e "Machina The Machines of God" (5º disco, 2000, o último gravado com a formação original completa), continuaram a brincar com efeitos eletrônicos e com o inesperado.


“Se o SMASHING PUMPKINS tivesse sido apenas uma banda grunge, eu não teria continuado no grupo”, afirmou o baterista Jimmy Chamberlin nesta mesma entrevista. "Com a nossa banda, as pessoas não sabiam que porcaria estava acontecendo, mas nunca tivemos medo de nos queimar e tentar coisas novas".

Tendo crescido em Chicago longe de focos culturais de Los Angeles, Seattle ou New York, Corgan sempre soube que havia algo mais para si, mas ele simplesmente não sabia como chegar lá. Ambicioso, esperançoso, mas também niilista, furioso e oprimido, por 01 década o SMASHING PUMPKINS apresentou a sua trilha sonora de amadurecimento em um lugar ao qual não pertencia.


Nos anos 90, Corgan costumava dizer aos jornalistas que "se eu tivesse sido aceito como uma criança normal pelos meus colegas de escola, talvez não tivesse me tornado o esquisito que fui. Sendo rejeitado tão brutalmente no início, é que me fez virar essa outra pessoa".

Sentado com confiança do lado de fora, a banda "lutou em um momento muito particular na história americana", explica Corgan. "Fomos ensinados sobre como os EUA era ótimo e que essa era a versão perfeita do mundo, mas sabíamos que não era tão perfeita assim. Estávamos conversando sobre o que acontecia a portas fechadas e como não acreditávamos nas instituições em que fomos instruídos a acreditar".

A banda rapidamente se tornou uma das maiores do mundo, mas também era odiada. Depois de 01 década lutando contra o mundo e contra si próprios, SMASHING PUMPKINS se separou em 2000.


Porém, mesmo Billy Corgan seguindo em projetos paralelos e carreira solo, os jornalistas realmente queriam perguntar a ele somente sobre o SMASHING PUMPKINS: "Mesmo quando eu queria deixar pra lá, a mídia não queria".


Então, ele decidiu retomar com o grupo em 2007.


Pegando um anúncio de página inteira no jornal The Chicago Tribune, Corgan anunciou o seu desejo de reunir o SMASHING PUMPKINS: "Você precisa de um pouco de arrogância porque está tentando se convencer de que isso pode acontecer novamente". No anúncio, ele escreveu numa parte: "Eu quero a minha banda e os meus sonhos de volta".

Chamberlin foi o único dos membros originais a querer retornar em 2007 e com Jeff Schroeder na guitarra (na banda até hoje) e Ginger Pooley no baixo, eles lançaram o álbum mais pesado de sua discografia, "Zeitgeist" (6º disco), antes de serem headliners nos festivais britânicos de Reading e Leeds.


Porém, em 2009, Chamberlin saiu da banda e o SMASHING PUMPKINS continuou com uma formação em constante rodízio.


Em 2012 veio o álbum mais progressivo do grupo, "Oceania" (7º disco), e em 2014 o álbum mais minimalista de todos (e que não deixa de ser muito bom), "Monuments to an Elegy" (8º disco). Cada álbum vendeu menos do que o disco "Zeitgeist" e "simplesmente não era mais a mesma banda", de acordo com o próprio Billy Corgan.


"Quando você traz novas pessoas para um mundo estabelecido como o do SMASHING PUMPKINS, é difícil navegar e simplesmente não estávamos confluindo". Com tudo o que eles fizeram em comparação com o que tinha acontecido antes, Corgan estava ocupado lutando contra "o fantasma da falta dos membros originais no grupo. Se fosse uma banda nova, estaríamos bem, mas pedir para aquela banda (formações) ser o SMASHING PUMPKINS, é como se as pessoas não pudessem lidar com isso e nem eu".

Sem nenhum membro original envolvido de 2009 à 2015, aquela banda que não estava confluindo e as novas músicas que foram criadas, foram recebidas no geral com um encolher de ombros das pessoas (mídia e boa parte dos fãs).


Corgan achou que estava tudo acabado: "Se você já passou por um momento em sua vida em que a cultura jovem está muito focada em você, então, quando as mudanças acontecem, surge este sentimento de abandono... Parece que algo deu errado". Agora, ele aceitou que "é apenas a evolução natural da vida", mas na época, "parecia fútil. Não estou tentando ser excessivamente dramático, mas é quando as pessoas se suicidam e houve momentos em que eu realmente lutei contra isso na minha vida durante este período... Parecia que essa jornada mágica havia acabado pra mim".


Teve muitos dias em que ele acordou e pensou: "Acabou, é só aceitar, mas lutei contra essa ideia até o último momento".

Mas a condição climática apontava melhoras no futuro...


Em 2015, Jimmy Chamberlin retornou ao grupo. Em 2016, o guitarrista também membro fundador, James Iha, fez 03 apresentações como convidado especial em shows do SMASHING PUMPKINS.


Então, Corgan começou o seu trabalho de alcançar a formação original para colocar aqueles fantasmas para descansar. A baixista D'arcy Wretzky estava em negociações para voltar, mas não conseguiram sucesso, com cada lado culpando publicamente o outro. Iha e Chamberlin voltaram, juntando-se a Corgan e ao guitarrista Jeff Schroeder.


"Uma vez tendo o retorno desse tipo de formação, é realmente apenas sobre fazer boa música, sabe? Agora, não é nós contra a ideia individual de outra pessoa da banda, somos apenas nós contra nós", concluiu Corgan.

Como nota, Jack Bates vem levando o baixo desde 2015.


Em 2018, SMASHING PUMPKINS entrou no estúdio para gravar somente 01 single como declaração do retorno dos membros originais, mas acabaram gravando 08 músicas inéditas e resolveram lançar o álbum de retorno, "Shiny and Oh So Bright, Vol. 1" (9º disco).


"Éramos apenas nós rindo no estúdio, mas foi bom termos gravado aquelas canções", disse Corgan. Como resultado, SMASHING PUMPKINS realizou as turnês americanas (03 pernas) e europeia para celebrar este retorno e os 30 anos de banda. Foram turnês em arenas lotadas que viram o grupo se inspirar fortemente (de propósito) nos primeiros 05 álbuns do grupo.

"O sucesso daquela turnê provou às pessoas que ainda havia muita vida na banda", disse Corgan. "Durante aqueles anos estranhos entre 2009 à 2015, muitas pessoas basicamente descartaram a banda ou acreditaram que não era válida, porque 'alguém' não estava no palco. Tive de convencer muitas pessoas de que ainda havia ótimos dias para o SMASHING PUMPKINS".


Mas é uma tarefa difícil de fazer se você sempre disse isso em sua carreira: “Não estou em posição de discutir porque a maioria das pessoas não concordam comigo, então, sou o cara bêbado no bar que está discutindo sobre como o jogo deveria ter terminado”, explica ele. "Isso pode soar muito grosseiro, mas a melhor maneira de argumentar é ser ótimo no que você faz", que é onde o novo álbum "Cyr" entra em cena.


Com mais efeitos eletrônicos do que qualquer álbum desde o disco "Adore" - mesmo cada álbum lançado desde então apresentando um leve tempero do disco "Adore" - e tecnologia capaz de capturar "a tensão no ar", é um álbum que fala da "situação de desintegração rápida nos EUA", continuou Corgan. "A super polarização de nossa política e da nossa mídia criou verdadeiras fissuras na cultura. Há uma tensão no ar e ela vem crescendo há muito tempo. O que é triste, é que as pessoas não estão se conversando como antes", mas ele sente que tem "algo a dizer que contribui para a conversa".

"O mundo precisa de pessoas discrepantes como eu, pessoas fora da linha para lembrá-las de que há uma maneira diferente de ver as coisas. Você precisa de alguém batendo na porta lhe dizendo: 'Vocês estão um pouco confortáveis demais, precisam ouvir alguma outra perspectiva'".


No entanto, ele não acha que sabe de tudo: "Algumas das questões que estão ocorrendo nos EUA me fizeram pensar sobre o meu lugar no mundo e se posso contribuir de uma maneira diferente".

“A música pode ser um denominador comum que une a cultura”, acrescentou Chamberlin, "mas eu não vou me responsabilizar por isso".

"sempre pressão" quando se trata de novas músicas do SMASHING PUMPKINS. "Sempre há alguém louco por aí", explicou Corgan. "Alguns fãs do nosso 1º álbum, 'Gish', odiaram o nosso 2º disco, 'Siamese Dream', e alguns fãs desse álbum odiaram o nosso 3º disco, 'Melon Collie and The Infinite Sadness', então, estamos acostumados com isso, porque não estou interessado em me repetir, sabe? Gosto de ter algo novo para dizer a cada álbum lançado".


Mas a resistência é mais profunda do que velhos fãs do rock que temem mudanças.

“Se você tivesse me dito no início que eu teria o sucesso que tive nos anos 90, nunca teria acreditado, ainda mais pela maneira como as pessoas falavam de mim nos anos 2000”, disse Corgan, avisando que está sendo “excessivamente simplista. Você deixa de ser ignorado para ser celebrado e aplaudido, para depois ser zombado".

Em relação aos álbuns conceituais da banda, "Mellon Collie and The Infinite Sadness", "Machina The Machines of God" e o vindouro 3º disco que irá completar esta épica trilogia, Corgan usou personagens como Zero para se distanciar dos ataques mais pessoais e isso o deixou lutando contra uma meta narrativa que ele não acredita ser verdadeira: "Nós realmente não pensamos sobre o legado da banda porque parece que ninguém realmente quer saber da história real. Uma banda de 30 anos indo para Londres e lotando a Wembley Arena, isso não é nada para se relevar?" ele pergunta. "Mas você lê a imprensa e é como uma realidade diferente. Eles acreditam que eu sou um fracasso, uma loucura e a pior pessoa do mundo".

Pode parecer fácil ignorar o ódio, mas essas opiniões "afetam a realidade", diz ele. "Se um monte de gente pensa que você é um ícone dos anos 90, eles não vão ao seu show hoje para ouvir as suas músicas novas... Há muitas pessoas que não nos consideram lendários".

Incrível pessoas da mídia e indústria fonográfica pensar isto sobre a banda, um grupo de rock que vendeu alguns dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, inspirando várias outras bandas e criando um corpo de trabalho que "passa por uma série de gêneros e que mantém um alto nível de integridade", citando influências como o THE CURE, THE WHO, ROLLING STONES, BEATLES, U2, BLACK SABBATH e DEPECHE MODE.

"Você pode apontar muitas coisas sobre mim como pessoa, mas as minhas estatísticas são boas. Não estou dizendo que somos atormentados, mas talvez, que não recebamos o crédito que conquistamos. Quando você pergunta a questão sobre o legado, eu simplesmente presumo que eles vão nos tirar da história", admitiu Corgan.


Chamberlin também prefere não pensar nisso: "Não é divertido escrever o seu epitáfio em tempo real".

É por isso que, além de trabalhar em uma série de álbuns voltados para o futuro, Corgan citou a sequência final de sua trilogia que já está em andamento (e que também será um disco duplo): "Estou trabalhando em 46 músicas no momento... Há épocas em sua vida em que você tem que estar disposto a arriscar tudo".


Para o SMASHING PUMPKINS, o primeiro risco foi com o álbum "Mellon Collie and The Infinite Sadness". Corgan explicou: "Se você lançar um álbum duplo, está pedindo por críticas. Especialmente quando é muito mais abrangente para o que você já fez antes. Uma sequência parece outro risco e obviamente não haverá as mesmas apostas agora, mas isso parece semelhante com o que já foi feito e parece a coisa certa a fazer agora".


Mais do que um retorno de chamada nostálgico para uma época mais bem-sucedida - "nunca fomos uma coisa geracional. Se esta é apenas uma jornada sentimental, então, isso não faz bem a ninguém" - este álbum sequencial está sendo feito para "tentar fechar o ciclo da meta narrativa contra a qual a banda tem lutado desde os anos 2000".


“Se o disco 'Melon Collie and The Infinite Sadness' é sobre a ascensão e chegada de uma pessoa, o álbum "Machina The Machines of God" é sobre a sua dissipação”, continuou Corgan. "Em essência, o disco 'Machina The Machines of God' estava no meio do filme e mesmo que este personagem simplesmente morra e vá para o céu, ainda há mais história para contar porque ninguém quer assistir a um filme em que o cara simplesmente morre. Essa etapa final da trilogia em que estamos trabalhando é a ressurreição, a redenção e finalização de uma narrativa".


O que sempre espelhou o próprio SMASHING PUMPKINS.


Pode ser o fim dessa história em particular, mas Corgan disse que "adoraria haver mais. Uma sequência para a sequência, por que não?"

Claro, em geral, o futuro está ficando mais difícil de prever e uma banda como o SMASHING PUMPKINS sempre teve um espírito imprudente, mas pela primeira vez o grupo não parece destrutivo: “Isso parece certo e parece algo que pode durar por muito tempo, de uma forma que eu acho que nunca aconteceu antes. Acabamos aprendendo com toda aquela jornada através do fogo”, disse Chamberlin, agora sóbrio há 20 anos. “A grande injustiça seria se continuássemos agindo como palhaços, mas agora vivemos as nossas vidas com respeito à dor que sofremos".

“Éramos apenas garotos suburbanos idiotas que ouviam muita música boa e tentavam criar uma banda que fizesse boa música. Fomos desafiados desde o início” - e eles lutaram mesmo, não há como negar isso. "Agora, somos um dos últimos sobreviventes, não é? Gostávamos muito de música e queríamos comemorar isso. Aqui estamos, 30 anos depois e ainda muito empolgados. A banda nunca foi sobre correntes, mas sim, sobre liberdade. Essa, pra mim, é a parte de maior sucesso do SMASHING PUMPKINS e não o fato de que provamos que as pessoas estavam erradas".


O baterista falou bonito e Corgan concordou, dizendo: "O que pensamos que é importante sobre a banda não é o que a maioria das outras pessoas pensam que é importante. O mais importante é que a banda cobriu uma enorme área de terreno com um alto nível de integridade e quase sem precedentes”.


SMASHING PUMPKINS nunca foi sobre conquistar as pessoas ou atender às expectativas: "Não custa fazer as duas coisas, mas não é isso o que sempre pretendemos. Queremos vencer, mas queremos vencer do nosso jeito", Corgan acrescentou.


Chamberlin sempre considerou a banda ambiciosa ao gravar novos álbuns: "Há muito o que fazer... Quando você tem um cara como Billy Corgan, que é tão talentoso, escrevendo e compondo tantas músicas boas, não faz sentido fazer nada além de criar grandes mudanças. Não é como se quiséssemos estar em todo canto do mundo ou achando que vamos voltar ao topo, você me entende?" Mas o fato de eles continuarem a explorar a profundidade e a amplitude da paisagem única do SMASHING PUMPKINS, é motivo para comemorar.

"As pessoas simplesmente presumem que, como você já está por aí há algum tempo, o que você tem a dizer não é mais tão importante", disse Corgan, que discorda veementemente. "Adoro o desafio de fazer música com a qual minha geração e outras gerações possam se conectar. Nada me deixa mais feliz de quando vejo um jovem fã querendo que eu os adicione na minha rede social, mas devo a mesma lealdade às pessoas que já estão comigo durante todo o caminho. Há muitas pessoas na casa dos 40 anos enfrentando os seus próprios desafios, certo? Elas precisam de inspiração e querem acreditar que haverá dias melhores pela frente. Se eu não acreditasse que o meu melhor está à minha frente, por que nos incomodaríamos em ter essa conversa? Só porque outra pessoa quer agarrar a sua cópia do disco 'Siamese Dream' em sua cripta? Isso não é pra mim".

Corgan alfinetou, finalizando a entrevista: "Não vamos embora silenciosamente e faremos um grande barulho enquanto pudermos. Se alguma banda é capaz de quebrar o teto do que uma banda pode fazer além de um certo ponto, em termos de relevância cultural e domínio musical, SMASHING PUMPKINS seria esta banda. Nós não começamos este grupo para pegar as garotas depois dos shows e pagar para ser reconhecido, nós começamos apenas para sermos ótimos no que queríamos fazer e por que não podemos ser ótimos hoje?"


Confira o videoclipe da canção "Ramona", lançada no último álbum de estúdio do SMASHING PUMPKINS, "Cyr":


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