• by Brunelson

Nate Mendel: "nem todos irão gostar de tudo o que você faz", disse o baixista do Foo Fighters


Deitado numa cama de solteiro na cidade de Springfield, Virgínia, cercado por pôsteres de suas bandas favoritas como BAD BRAINS, CIRCLE JERKS e RUSH, o futuro frontman do FOO FIGHTERS, Dave Grohl, se revira enquanto dorme.

Ele ainda é apenas um adolescente de 14 anos de idade obcecado por música, com toda aquela bagagem do NIRVANA, FOO FIGHTERS, QUEENS OF THE STONE AGE, THEM CROOKED VULTURES e “o cara mais legal do rock” lhe esperando no futuro.

Porém, dentro da sua mente adolescente, um sonho está se desenrolando. Lá está ele, parado na base de uma colina e no topo dessa colina está um caixão que está pegando fogo, próximo a uma grande árvore morta.

Grohl sobe correndo a colina e tenta abrir o caixão para salvar quem está lá dentro, apesar do fato de que ele não consegue salvar a pessoa e acaba queimando as suas mãos...

Nos 37 anos seguintes e repetidamente, este sonho vinha e voltava para ele. Agora, você também pode experimentar este mesmo sonho por meio do videoclipe do single do FOO FIGHTERS, "Shame Shame", em divulgação ao vindouro 10º álbum de estúdio da banda, "Medicine at Midnight".

No clipe, lá está Dave Grohl, agora com 51 anos, varrido pelo vento, carrancudo e vagando ao redor de uma colina sombria com nuvens sinistras aglomeradas ao alto. Uma névoa densa permeia o ambiente, enquanto a atriz/dançarina, Sofia Boutella, detém todos os tipos de movimentos góticos sob a lua cheia.

Vestido todo de preto, Grohl está arrastando uma guitarra quebrada atrás de si enquanto sobe em direção à pira em chamas.

"Pingando metáforas, certo?" disse o baixista do FOO FIGHTERS, Nate Mendel, na banda desde a sua formação em 1995 e em recente entrevista para o site Stuff da Nova Zelândia. Grohl o recrutou da banda SUNNY DAY REAL ESTATE logo após a dissolução do NIRVANA com o falecimento de Kurt Cobain em abril de 1994.

“Aquela mulher dança lindamente no clipe, o que é algo que você pensaria que poderia ser realmente digno e não exatamente o tipo de espírito do FOO FIGHTERS, mas acho que o vídeo é realmente atraente”, complementou o baixista.

Nate Mendel está ao telefone para falar sobre o disco "Medicine at Midnight", que será lançado em 05 de fevereiro de 2021. Gravado antes da pandemia, o álbum foi planejado em parte como uma celebração da longevidade da banda para comemorar os 25 anos de vida (atrasado, devido ao covid).

Houve uma angústia considerável sobre que direção tomar nesse disco. Eles ficariam novamente desplugados e acústicos? Derrubariam um conjunto de músicas punk rock quebraceiras? Cairiam nas raízes da música americana? Entrariam no território do dark metal?

No final, Dave Grohl decidiu que eles iriam emular alguns dos seus heróis musicais, como David Bowie, SLY AND THE FAMILY STONE e ROLLING STONES, gravando um “grande e descolado disco de festa”.

Mendel tinha ficado encantado com essa ideia: “Me lembro que estava no Havaí com Dave e ele me disse: 'Acho que esse álbum deveria ser como o disco 'Let's Dance' de David Bowie'. Eu estava super animado porque isso definitivamente é algo fora do que sempre fizemos e adorei a ideia de tentar algo que pode ou não funcionar. Pode falhar e soar como uma porcaria, então, é legal ter esse desafio. Além disso, como baixista, isso significa que haverá grooves, em vez de tocar em sincronia e seguir junto com o riff da guitarra”.

Ele continuou: "Também foi libertador virar para o lado e não sentir que tínhamos que ser os porta-estandartes do 'rock alternativo', seja o que isso signifique hoje em dia".

Os membros da banda são certamente conhecidos por seus gostos diversos.

Em 2011, o guitarrista Chris Shiflett também havia sido entrevistado por este mesmo site logo depois que o grupo havia gravado o álbum "Wasting Light" na garagem da casa de Dave Grohl (7º disco, 2011).

Ele elogiou as primeiras bandas do metal/hard rock que curtia, como SCORPIONS e KISS, citando também o ROLLING STONES como uma das suas bandas favoritas, devido à combinação de "ótimas guitarras e puro espírito punk".

Grohl, por sua vez, é um grande fã do QUEEN e falou do seu desejo de unir a energia e o imediatismo do punk às melodias indeléveis dos BEATLES, ABBA e BAY CITY ROLLERS.

E com base nesses históricos, certamente o álbum "Medicine at Midnight" nos concederá alguns desvios inesperados pelo caminho usual do FOO FIGHTERS.

Com o seu violento golpe de sabre e perigosa falta de competência em política externa, o espectro do presidente Donald Trump paira pesadamente sobre a outra canção single do novo disco, "Waiting on a War".

“Eu estive esperando por uma guerra desde que era jovem / Apenas um garotinho com uma arma de brinquedo”, canta Grohl nesta música, com aquele refrão inchado que certamente terá celulares acesos balançando no ar sempre que a banda finalmente voltar às turnês.

A música foi parcialmente inspirada pelo terrível pavor que Grohl sentiu ao crescer durante a corrida armamentista dos anos 80, preocupado com a perspectiva de um holocausto nuclear. Mais recentemente, quando as tensões aumentaram entre os EUA e a Coreia do Norte, ele estava levando a sua filha para a escola e ela lhe perguntou: "Pai, vamos para a guerra?"

Nate Mendel adora esta música, dizendo: “É um bom hino de ansiedade à moda antiga, certo? Essa é uma das melhores músicas que Dave escreveu e compôs em muito tempo”.

Com uma grande bateria dos anos 80, guitarra rítmica agitada e Grohl afetando um barítono quase comicamente grave, a faixa-título, "Medicine at Midnight", é uma prima próxima de "Let’s Dance" de David Bowie. Provavelmente, FOO FIGHTERS deveria fazer uma doação para a propriedade de Bowie por causa dessa música... Existem algumas vibrações de AC/DC com temperos "bonitos e doces" que vibram entre os BEATLES e os primeiros discos do PINK FLOYD.

Mas o que os fãs mais convencionais da banda acharão de todas essas reviravoltas estilísticas do álbum "Medicine at Midnight"? Os rockstars receberão chicotadas dos outros?

Mendel não está nem aí com os comentários.

“Nem todo mundo vai gostar de tudo o que você faz. Eu saí com um amigo hoje que é fã do FOO FIGHTERS e ele estava, tipo: 'Aquela nova música de vocês, 'Shame Shame', eu realmente não gostei dela'. E eu falei pra ele, rindo: 'Sim, quero dizer, foi projetada para ser uma música que nem todo mundo iria gostar mesmo, então, vai se foder!' Há tempo e espaço para criar as músicas que as pessoas imaginam, assim como um tempo e espaço para as canções que saem pela tangência e é isso o que temos feito nesse disco”.

FOO FIGHTERS possui um elo especial com a Nova Zelândia, onde muitos sentem esta ligação por causa da demonstração pública de solidariedade e generosidade durante uma época de necessidade nacional. Em 22 de março de 2011, a banda realizou um show beneficente na cidade de Auckland para arrecadar dinheiro aos necessitados que foram atingidos pelo terremoto na cidade de Christchurch.

Mais tarde e naquele mesmo ano, FOO FIGHTERS retornou e gerou a sua própria atividade sísmica. Quando a banda subiu ao palco para o seu show em novembro no Western Springs em Auckland, as vibrações harmônicas de 50 mil fãs fazendo moshes realmente fez disparar estações de medição de terremotos pela cidade, com um ruído de 3 Hz marcando nos relatórios de pesquisa.

"Ah, sim!" confessou Mendel, “ainda temos a leitura da escala Richter desta vez e que está pendurada na parede do nosso estúdio. Aquilo foi incrível! A multidão se empolgou tanto que até começou um pequeno tremor”.

Com 1/4 de século juntos, esta é uma marca gigante para grupos de rock e Mendel não consegue pensar em nada que preferiria estar fazendo ao invés de estar numa banda de rock.

“Eu sei que é um clichê, mas somos como uma família no FOO FIGHTERS. Somos irmãos e apenas sabemos como nos comunicar e tocar juntos de uma maneira que mantém as coisas frescas. Às vezes, eu conheço pessoas em outras partes da minha vida e falo: 'Hey, por que você não vem ao nosso show?' Então, eu os coloco na lateral do palco para que eles possam de alguma forma ver o show através dos seus próprios olhos. Isso me lembra que este é um trabalho muito especial”.

Depois de assistir ao seu 1º show do FOO FIGHTERS, no dia seguinte - a título de comparação - um amigo mandou um e-mail para Mendel com uma foto sem graça do seu escritório.

“Ele estava sentado na sua mesa de escritório e aquilo me fez pensar o quão sortudo eu realmente sou. Nunca fica obsoleto subir num palco, olhar para um mar de pessoas que gastaram o seu precioso tempo e foram lá perder a cabeça por algumas horas”.

E não se trata apenas dos amigos músicos no palco. Mendel falou que o FOO FIGHTERS sempre viaja com uma comunidade próxima de amigos, família e membros da equipe.

“Realmente, é um circo itinerante com um propósito em comum. Todos estão se juntando para fazer o show todas as noites e todos estão fazendo isso com paixão e propósito. Qualquer trabalho onde você possui isso, é ouro”.

E não vamos esquecer que também é um trabalho socialmente útil. A turnê está fora de agenda agora devido à pandemia, mas chegará o momento em que eles estarão no palco novamente gerando uma confusão catártica, proporcionando um fórum para a alegria comunal, ajudando as pessoas a desabafarem, aliviando a ansiedade e o stress. Em algum nível, FOO FIGHTERS está fazendo a sua parte pela saúde mental do seu público.

“Cara, você está se parecendo comigo! Essa é exatamente a pequena conversa que eu me dou se algum dia me abater, sobre, como tenho 52 anos agora e ainda estou fazendo a mesma coisa que fazia quando tinha 17 anos de idade! É como se alguém quisesse me impor: 'O que há de errado com você, Nate? Você deveria estar fazendo algo mais importante nessa etapa da sua vida!'"

“Mas então, eu penso nesse aspecto social e no prazer que fornecemos às pessoas. Não posso lhe dizer o número de vezes que alguém apareceu e me contou sobre uma parte pungente de sua vida em que a trilha sonora era FOO FIGHTERS, onde foi muito importante para elas".

Mendel finalizou: "Então, sim, acho que esta profissão tem o seu valor”.


Confira os 03 singles lançados pelo FOO FIGHTERS em divulgação ao álbum "Medicine at Midnight":


"Shame Shame"


"No Son of Mine"


"Waiting on a War"


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