Pearl Jam: resenha do álbum "Gigaton" com nota máxima da revista Kerrang

September 1, 2020

 

Confira a resenha na íntegra que a revista britânica Kerrang havia feito sobre o último álbum do PEARL JAM, "Gigaton" (11º disco, 2020), onde concederam nota máxima ao álbum:

 

 

As lendas do PEARL JAM de Seattle visam o presidente Trump e uma catástrofe global no estonteante álbum "Gigaton".

 

“Muito a ser feito", canta Eddie Vedder, juntando as palavras a uma melodia de tirar o fôlego durante o final da música "Seven O'Clock". Ele continua repetindo esta frase muitas e muitas vezes, gerando o sentimento da canção que vai direto ao coração do primeiro álbum do PEARL JAM em 07 anos. 

 

O disco "Gigaton" captura os moradores de Seattle entre uma sensação de pavor abjeto e um sentimento de desafio combativo, enquanto enfrentam a nossa era de geleiras derretidas e fake news. Tudo isso é terrível, mas as músicas são extraordinárias.

 

O álbum muitas vezes desliza tão rapidamente, que na primeira audição é fácil perder os detalhes que o tornam tão especial - por exemplo, os riffs de abertura da música "Who Ever Said" camuflam o quão heterodoxa a sua estrutura realmente é. Por sua vez, o rock de garagem áspero da canção "Superblood Wolfmoon" soa tão alegre que a gravidade das suas letras, como: "E o amor não suporta / Cada um de nós está fodido", podem não serem perceptíveis inicialmente. 

 

Como muitas das músicas que esse disco nos apresenta, há muito mais coisa acontecendo do que pode ser ouvido.

 

É um álbum que também é definido pela sua elasticidade musical. Muito já foi feito do espetacular single que foi a música "Dance of The Clairvoyants", com a sua quebra inspirada no funk rock e grande convergência de melodias em espiral. No entanto, ela não está sozinha em sua ousadia. Pegue a canção "Alright" por exemplo, que é totalmente composta pelo baixista Jeff Ament (letra e música), uma ode silenciosa à autossuficiência acompanhada do instrumento kalimba em sua execução.

 

Porém, frequentemente o disco "Gigaton" é um registro alimentado por um sentimento de indignação ardente. Sobre uma linha de baixo martelante em outra música de Ament, "Quick Escape" emite um despacho apocalíptico de um futuro no qual a humanidade está abandonada em Marte. Não, é sério! Vedder canta, fervendo: "Até onde tivemos que ir / Para encontrar um lugar que Trump ainda não tivesse fodido". 

 

Voltando na canção "Seven O'Clock", o presidente é novamente citado em contraste ao grande líder nativo americano, Touro Sentado, cantando: "Então, você tem o Bullshit Sentado / Como o nosso presidente em exercício". No momento em que o alerta da frase "muito a ser feito" chega ao fim, a música se estabeleceu com confiança e merecidamente como uma das melhores que o PEARL JAM já compôs.

 

Após o barulho rápido das músicas "Never Destination" e "Take The Long Way", os níveis de decibéis do álbum diminuem. No entanto, mesmo assim, a emoção apenas se intensifica. 

 

A canção "Buckle Up" é um emaranhado de sonho e memória como uma canção de ninar.

 

A música "Retrograde" é uma meditação lenta sobre as mudanças climáticas, enquanto a acústica "Comes Then Goes" reflete sobre "incisões feitas por lâminas de bisturi do tempo". Aqui está uma música sobre uma amizade em desintegração que lhe atinge com o poder de um elogio (muito se comenta se tratar sobre o falecido Chris Cornell).

 

Há muito tempo que a especialidade do PEARL JAM é causar danos permanentes aos dutos lacrimais com as suas canções de encerramento... "River Cross" é uma música embalada a um órgão melancólico que Vedder toca, condenando um governo que "prospera com o descontentamento" - é como a doce carícia da razão sendo aplicada a um mundo que se tornou um borrão de mentira e medo. Se a marcante frase "muito a ser feito" é um apelo contra ao porte de armas, o refrão encantador da canção "River Cross" cantando "não vai nos segurar", é certamente uma armadura para a luta que temos pela frente (lembrando que esta foi a primeira música que Vedder compôs e apresentou solo ao vivo, depois do falecimento de Chris Cornell).

 

Inevitavelmente, qualquer novo disco do PEARL JAM será mantido num cadeado incapacitado de comparação com os álbuns "Ten" (1º disco, 1991), "Versus" (2º disco, 1993) e "Vitalogy" (3º disco, 1994) - álbuns estes que representam agora, tanto quanto artefatos culturais quanto álbuns clássicos. 

 

Mas aqui está o que o disco "Gigaton" pode reivindicar: é o disco mais furioso do PEARL JAM desde o auto-intitulado álbum de 2006 (8º disco). 

 

"Gigaton" é o disco mais musicalmente inventivo desde o álbum "Yield" (5º disco, 1998). 

 

E em virtude dos seus temas, é o mais seriamente necessário em toda a sua carreira. 

 

Em suma, o álbum "Gigaton" é um triunfo.

 

Track-list:

 

1. Who Ever Said

2. Superblood Wolfmoon

3. Dance of The Clairvoyants

4. Quick Escape

5. Alright

6. Seven O'Clock

7. Never Destination

8. Take The Long Way

9. Buckle Up

10. Comes Then Goes

11. Retrograde

12. River Cross

 

Nota: 5/5

 

Confira os singles que o PEARL JAM lançou para divulgar o disco "Gigaton":

 

"Dance of The Clairvoyants"

 

"Superblood Wolfmoon"

 

"Quick Escape"

 

"Retrograde"

 

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