Alice in Chains: fatos inéditos e emocionantes da origem da banda pelo próprio Jerry Cantrell

July 24, 2020

 

O guitarrista do ALICE IN CHAINS, Jerry Cantrell, foi recentemente entrevistado pelo programa Gibson Icons e dentre vários assuntos, ele se lembrou de quando trabalhava em uma loja de música antes de se mudar para Seattle, onde veio a formar na sequência o ALICE IN CHAINS.

 

Seguem alguns trechos:

 

"Eu trabalhei naquela loja de música nos anos 80 e meio que consegui as minhas primeiras guitarras marcando tudo na conta, tipo, deixava para ser descontado em parcelas do meu salário".

 

"E quando recebi os meus 02 primeiros salários, foi quando adquiri as minhas duas guitarras Gibson Les Paul que ainda as tenho até hoje, sabe? Praticamente, estas duas guitarras estiveram em tudo o que eu já gravei na minha vida, além de uma mistura com outras guitarras que também uso, é claro".

 

"Eu também consegui algumas Gibson Les Pauls no início dos anos 90. Um dos meus maiores heróis da guitarra era Ace Frehley (KISS) e na época tinha comprado uma guitarra Les Paul personalizada dele".

 

"Então, provavelmente em 1986, foi quando me mudei para Seattle. A minha avó tinha ficado doente e faleceu e então, a minha mãe adoeceu cerca de 01 mês depois que a minha avó tinha falecido e ela também morreu 05 meses depois..."

 

"Então, eu perdi a minha mãe, avó (com quem nós morávamos juntos) e a nossa casa em um período de 01 ano, sabe? A minha vida inteira basicamente tinha chegado ao fim e foi quando eu conheci os caras do ALICE IN CHAINS".

 

"Fui morar e trabalhar com Layne Staley (vocalista) no The Music Bank a pedidos dele (local de ensaios em Seattle). Nós moramos lá até começarmos a banda e isso foi em 1987. Em dezembro daquele mesmo ano, fizemos o nosso primeiro show depois de ser uma banda por apenas algumas semanas".

 

"Estávamos meio que misturando um monte de coisas na época, como o new wave dos anos 80 com o metal inglês de 05 a 10 anos atrás".

 

"Eu acho que a ideia original de Layne para a banda, era tentar iniciar um grupo de speed metal, sabe? Eu era do tipo mais do rock clássico e metal, o baterista Sean Kinney estava mais ligado nos BEATLES e o baixista Mike Starr foi provavelmente o que estava mais alinhado comigo, pois ele também curtia mais o rock clássico e metal".

 

"Quando eu comecei a morar com Layne no The Music Bank, nós ensaiávamos e ele estava realmente interessado no que eu estava fazendo musicalmente. Ele sabia que eu queria montar uma banda, mas ele já tinha a banda de garagem dele, então, Layne deixou claro que ele preferia continuar tocando com a banda dele".

 

"Eu nunca pedi para Layne sair da banda que ele tinha na época... Eu era o cara novo em Seattle e não tinha uma banda, mas ele sempre foi realmente solidário comigo e nós continuamos".

 

"Antes de formarmos o ALICE IN CHAINS, eu já tinha conhecido Mike Starr e depois conheci Layne, onde comecei a perguntar para Layne se ele conhecia outros músicos na cidade, dando a entender que se ele conhecesse outras pessoas, nós poderíamos chama-las para tocar conosco".

 

"E ele havia me dito: 'Sim, eu conheci esse cara chamado Sean no ano passado. Ele é um cara muito engraçado e havia me dito que tocava bateria. Eu não sei o quão bom ele é, mas ele parecia um cara muito legal. Acho que ainda tenho o número do telefone dele' - e Layne tinha".

 

"Ele me deu o número dele e eu liguei para Sean. Eu fiquei, tipo: 'Hey, eu sou Jerry. Estou tentando montar uma banda. Meu amigo Layne me disse que vocês se conhecem... Então, estamos aqui no The Music Bank e temos uma sala para ensaiar. Se você quiser vir até aqui e tocar conosco...'"

 

"Sean me respondeu na hora: 'Sim, isso parece legal'. Ele começou a me fazer algumas perguntas, do tipo, o que eu fazia da vida e coisas assim. Sean me dizia: 'Sim, eu vou até lá me encontrar com vocês, mas vocês já conhecem algum baixista?' Eu lhe respondi: 'Eu não'".

 

"Sean continuou ao telefone: 'Que tipo de baixista você está procurando?' E eu falei: 'Bom, eu toquei com um cara chamado Mike Starr por algumas semanas e pensei que ele seria uma pessoa legal para ter na banda... Você conhece ele?'"

 

"Sean me respondeu: 'Sim, eu sei quem ele é. Ele é o meu melhor amigo e estou namorando a irmã dele... Pode deixar que eu vou leva-lo também ao ensaio'".

 

"E eles foram ao The Music Bank: Mike, Sean e Melinda (irmã de Mike e namorada de Sean). Todos nós começamos a tocar juntos e acho que Layne estava levemente interessado, mas ele ainda não estava realmente envolvido, sabe?"

 

"Mas então, Layne primeiro começou a nos ouvir tocar um pouco e escolhemos alguns covers de David Bowie para tocar primeiro".

 

"Me lembro que a forma como eu tocava guitarra - com um som pesado - chamou a atenção de Layne e ele havia me dito na hora: 'Hey, com a minha banda estamos querendo fazer um som pesado assim... Você quer tocar algumas de nossas músicas também? Se você quiser tocar algumas canções com a minha banda, também seria legal'".

 

"E eu falei para ele: 'Ok, isso parece legal e vou fazer isso por você, mas por que você não canta conosco também?' Então, fizemos um acordo um com o outro para formarmos este novo projeto entre nós".

 

"Depois de um tempo, Sean, Mike e eu estávamos meio cansados daquilo, sabe? Foi quando nos convencemos e falamos para Layne: 'Somos melhores do que esses caras da sua banda. Você precisa 'pular de navio' e venha aqui tocar conosco em definitivo'".

 

"E Layne havia nos dito: 'Bom, eu realmente não quero deixar a minha banda', e nós ficamos, tipo: 'Ok, então, como podemos fazer ele desistir dos seus outros projetos paralelos?' E nós pensamos: 'Vamos começar a experimentar outros vocalistas lá no The Music Bank'".

 

"Layne não poderia argumentar, tipo, ele não ficou chateado com isso, então, publicamos um anúncio na revista de música local chamada The Rocket, dizendo: 'Banda procura por um vocalista e blá-blá-blá'".

 

"Por alguns dias, tivemos um desfile de idiotas chegando para os testes... Foi horrível, cara! Tinha uma pessoa que parecia um stripper masculino, sabe? Ele tinha cabelos ruivos brilhantes, com uma roupa spandex e lenços por todo o seu corpo, tipo, do pé à cabeça... Parecia um imitador de alguma banda glam metal e foi simplesmente horrível, tipo, o cara não conseguia nem cantar direito".

 

"Nós experimentamos algumas pessoas e este cara ruivo era o último candidato. Layne estava trabalhando na sua mesa no The Music Bank e conseguia escutar tudo através da parede. Depois daquele último cara - o homem stripper - Layne foi até a sala de ensaio onde estávamos e nos disse: 'Tudo bem, eu estou dentro, caras... Eu simplesmente não posso deixar vocês ficarem tocando com esses caras que vieram hoje aqui fazer os testes'".

 

"E nós falamos para ele na hora: 'Não estávamos levando a sério, cara. Só queríamos que você ficasse chateado para resolver entrar na banda de vez'. E Layne respondeu: 'Vocês me entenderam, eu estou dentro'. Então, Layne deixou a outra banda e projetos que ele fazia parte, e foi assim que nós começamos".

 

"Tudo aconteceu muito rápido, cara... Na época, não parecia algo necessário, mas analisando em retrospecto, estava acontecendo muita coisa na cena musical naquele período na cidade e o legal de Seattle era que parecia realmente um movimento nosso, algo insular".

 

"Nós estávamos neste posto avançado no noroeste do país e Seattle não era considerada realmente uma capital dos negócios de entretenimento ou algo assim. Eu acho que é por isso que todos nós meio que desenvolvemos o que desenvolvemos, pois sempre foi uma cidade e povo realmente artísticos".

 

"Já tínhamos alguns artistas realmente ótimos para nos orgulhar e chamar de nossos, como Jimi Hendrix e a banda HEART, mas havia muitos de nós que tínhamos basicamente a mesma idade com poucos anos de diferença, com umas 07 ou 08 bandas onde todos se conheciam e que já estavam borbulhando no underground... Todo mundo conhecia todo mundo porque Seattle não é uma cidade tão grande, sabe?"

 

"E você sabia que tinha algo acontecendo, cara. Todo mundo estava ciente do GREEN RIVER e do SOUNDGARDEN... Já tínhamos conhecimento também do SCREAMING TREES e depois se formou o MUDHONEY, que era muito foda! Também tinha uma banda nova chamada NIRVANA".

 

"Havia tanta música nova, sabe? Essas bandas que citei acho que a maioria do mundo conhece, mas havia muitos outros grupos também e foi uma coisa muito legal... Era como se todos estivessem numa única banda e nós íamos ver cada um se apresentar e festar juntos depois, tipo, nunca foi uma coisa opressiva, como: 'Vamos chutar a bunda de todos eles e que se dane'".

 

"Foi mais uma coisa de apoio mútuo mesmo, onde todo mundo estava se esforçando para ser um indivíduo único ou uma unidade singular a si mesmo, em vez de tentar copiar alguém. Não pensávamos que queríamos fazer do mesmo jeito que tal banda fazia. Em vez disso, reconhecíamos que as outras bandas eram realmente boas no que faziam e decidimos que precisávamos ser nós mesmos, para também tentar ser realmente bom naquilo que fazíamos e éramos em particular".

 

"Foi uma cena que era bem pequena e acabamos, como muitos grupos daquela época, sob a mesma administração com Susan Silver e Kelly Curtis sendo os nossos empresários. Susan gerenciava o SOUNDGARDEN (era esposa de Chris Cornell na época) e Kelly gerenciava o MOTHER LOVE BONE (que depois se tornou no PEARL JAM, com Kelly sendo o empresário deles até hoje). SCREAMING TREES também foram empresariados por eles também por um tempo".

 

"O escritório deles ficava no centro da cidade e todas as bandas ficavam lá o tempo todo, sabe? Todos compartilhamos os mesmos profissionais e eles emprestavam a mesma van para todos. Foi nesta época, onde todas essas bandas começaram a angariar os seus próprios recursos".

 

"Se alguém tivesse um pouco de dinheiro e a outra banda não, nós nos virávamos como podíamos para ajudar o outro grupo e isso se tornou uma coisa muito favorável para todos. Tínhamos acabado de gravar uma fita demo e foi quando começamos a descobrir que talvez precisássemos começar a conversar sobre alguém para ser o nosso empresário e cuidar de coisas assim".

 

"Ficamos sabendo que o SOUNDGARDEN estava conversando com uma grande gravadora e começamos a ouvir que o MOTHER LOVE BONE também estava conversando com uma grande gravadora e então, foi quando resolvemos embarcar por este caminho também".

 

"Chegamos a conhecer uma pessoa para nos empresariar, tipo, o cara parecia legal, mas ele tinha uma fama de ser um criminoso e acho que ele teve alguns problemas legais na época, sabe? Felizmente, nunca assinamos um contrato com ele e foi quando conhecemos Susan e Kelly naquele momento".

 

"Você podia sentir que algo estava acontecendo e você sabia que fazia parte daquilo... Nós não sabíamos que iria acontecer do jeito que aconteceu, tipo, acho que qualquer um que diga que pensava desta forma na época, deve ter merda na cabeça, mas você sabia que algo estava acontecendo e você sabia que estava no lugar certo e na hora certa".

 

"E todo mundo de Los Angeles e New York começou a vir para Seattle e então, SOUNDGARDEN foi a primeira banda do nosso recinto que assinou com uma grande gravadora, depois foi o MOTHER LOVE BONE que também assinou e depois fomos nós. Com o tempo, SCREAMING TREES, PEARL JAM e o NIRVANA também foram assinando e foi uma espécie de rápida sucessão em nosso meio".

 

"Era uma espécie de massa crítica em ebulição, tipo, é como se você soubesse que algo estava acontecendo, mas não sabia exatamente o quê era ou o tamanho do impacto que geraria, o que acabou sendo um fenômeno no mundo inteiro".

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