Chris Cornell: “fico grato em compor música para alguém que nunca irei conhecer”

December 21, 2016

O vocalista do SOUNDGARDEN e do TEMPLE OF THE DOG, Chris Cornell, falou sobre a recente turnê do TEMPLE OF THE DOG e sobre o ex-vocalista do MOTHER LOVE BONE, Andrew Wood, numa entrevista para o programa de rádio, Full Metal Jackie.

 

Segue somente alguns trechos dessa conversa:

 

"No momento, eu acho que estamos experimentando a música de várias maneiras. Eu acho que as canções possuem uma maneira de assumir vida própria, sabe? Especialmente nesses tempos cibernéticos, uma vez que as pessoas estão lá fora as escutando e as músicas podem ser compartilhadas tão facilmente, que você não está mais no controle de qual percepção essa tal canção irá lhe demonstrar, ou aonde ela vai te levar, o que ela lhe traz, ou o que as pessoas pensam sobre ela. Um dos componentes do único álbum de estúdio do TEMPLE OF THE DOG (1991), é que eu acho que ele possui propriedades curativas, porque esse era o ponto central dele e que fazia parte da concepção do mesmo”.

 

“Certas canções tornaram-se a trilha sonora para diferentes indivíduos - quando eles estão passando por coisas difíceis em suas vidas. Isso não é algo que foi planejado, que não foi um álbum que foi projetado para aquele sujeito, mas que se torna um bônus quando você ouve essas histórias depois da sua música ser criada. Você se sente muito orgulhoso do que fez e muito grato também... Sinto muita sorte por ter sido capaz de fazer isso na minha vida, que eu possa sentar e ter o tempo necessário para fazer os procedimentos que me fazem ganhar a vida, escrevendo uma canção que pode realmente ajudar alguém que eu nunca vou conhecer, você me entende? Através da perda de um ente querido, por exemplo... Essa é uma situação incrivelmente privilegiada para se sentir dentro do seu prisma. Eu acho que o TEMPLE OF THE DOG tem feito isso de uma maneira bastante incomum, em se tratando desde que a internet surgiu".

 

"Foi realmente incrível! Para mim, uma das coisas inesperadas que eu supus – e que eu já sabia, porque nós havíamos conversado sobre isso - era que tocaríamos algumas músicas do MOTHER LOVE BONE na turnê do TEMPLE OF THE DOG. Durante a turnê, eu acho que tocamos umas 05 canções do único disco deles, “Apple” (1990), e que é outro álbum, assim como o do TEMPLE OF THE DOG, que está entre os melhores discos de rock do seu período. Fizemos isso, porque na época do seu lançamento não existia uma banda para divulga-lo em turnê. Então, não havia tantas pessoas na plateia que já tinham escutado a banda ao vivo antes, sendo que nunca havíamos feito uma turnê e nunca tínhamos tocado essas músicas dessa forma, sabe? Isso foi muito emocionante, não apenas por tocar com o TEMPLE OF THE DOG, mas também por ter tido a oportunidade de tocar os covers do MOTHER LOVE BONE - no sentido de uma banda que pode reivindicar a propriedade que pertence a eles. Fizemos algo em um nível que desde o início nunca tínhamos imaginado, que foi de chamar a atenção para o legado de Andy, o seu brilho e a música que ele deixou para trás”.

 

“Não tocamos muitas músicas diferentes do MOTHER LOVE BONE nessa turnê, mas o suficiente para que as pessoas possam ouvi-lo (Andy) e ter uma ideia de quem era esse cara e quão talentoso ele era. Pessoalmente, eu acho que isso foi a coisa mais difícil que me atingiu quando Andy morreu aos 24 anos. Absolutamente, todos nós já pensávamos que Andy era o cara mais talentoso da cena... Depois que ele faleceu, nós fomos capazes de descobrir que, o que ele fazia era uma das coisas mais difíceis de se fazer. Então, para continuar tocando todos as músicas do TEMPLE OF THE DOG e todas essas canções do MOTHER LOVE BONE, nos sentimos com o dever cumprido por vermos o grande número de pessoas que foram nos escutar, e principalmente, escutar a voz e a mensagem de Andy".

 

 

 

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