• Estácio S. Filho

Pearl Jam: 05 destaques do duplo show em Boston.

Fonte: Site Alternative Nation

Jornalista: Jeff Gorra (08/08/2016)


O PEARL JAM pisou no gramado do icônico estádio de baseball em Boston, Fenway Park, neste fim de semana passado: bateram muito bem em seus tacos, conseguiram rebater algumas bolas para fora do estádio e divertiram o público com 02 apresentações na Sexta-feira (05/08/2016) e no Domingo à noite (07/08/2016). Trazer os lendários rockeiros de Seattle para a casa do monstro verde do baseball, realmente demorou um bom tempo para acontecer - e era algo que tanto os fãs de esportes quanto os fãs do PEARL JAM estavam esperando. Assim como a noite se estabeleceu para o que foram 02 perfeitas noites de baseball no verão, a banda subiu ao palco para um público exaltado e prontos para testemunhar a união perfeita de 02 histórias.


Durante o hit "Alive" (do 1º álbum, "Ten", 1991 - tocada nas 02 noites), no cover da banda THE WHO,"Baba O'Riley" (tocada na 1ª noite) e no cover de NEIL YOUNG, "Rockin’ in The Free World” (tocada na 2ª noite), os fãs ficaram pulando pra cima e pra baixo com alta voltagem, cantando e comemorando como se o time da casa tivesse rebatido uma bola para fora do estádio e ganhasse o troféu do campeonato.


No domingo à noite, eu estava sentado/em pé/pulando/dançando literalmente à direita na parte superior da 2ª base, em uma seção onde as cadeiras eram dobráveis - melhor para acomodar a minha esposa que está grávida de gêmeos (e que foi o 1º concerto dos meus filhos!). Quando olhei para todo o estádio lotado e admiravelmente vi o forte brilho de 37.000 mil pessoas irradiando as luzes da casa, eu estava em êxtase completo. O prazer de ver uma multidão ficando tão afetados em um show do PEARL JAM é uma experiência que não cabe em palavras. Parecia uma incrível miragem estar fisicamente em pé no meio de tudo isso em um lugar lendário como o estádio Fenway Park.


Neste final de semana, cada fã pôde apreciar como seria a vitória do seu time jogando em casa num dia de final de campeonato, com direito a festa de champanhe e tortas na cara de comemoração. Aqui estão 05 razões que justificam este fato:


A Alternância de Músicas com Pitadas de Sucessos

Para manter os fãs em suas mãos, houve algumas variações inesperadas de velocidade nos setlists do PEARL JAM em ambas as noites. As músicas raras, tais como as canções “Grievance” e “Nothing at it Seems” (do 6º disco, “Binaural”, 2000), foram recebidas com muitos aplausos - assim como as músicas que não entraram em nenhum álbum da banda, as canções "Strangest Tribe" (que ficou de fora do 5º disco, “Yield”, 1998) e "Angel" (que ficou de fora do 2º disco, “Versus”, 1993). Para fechar o 1º encore break da noite de Sexta-feira, a banda mandou uma pitada com uma das músicas mais tocadas em seus shows, a rasgada e estrondosa canção "Corduroy" (do 3º disco, “Vitalogy”, 1994). Foi a primeira vez que essa música fechou um encore break em 10 anos! A partir do início da 1ª nota de “Corduroy”, ela desencadeou na hora o barulho inconfundível de reconhecimento da plateia - você nem sequer precisava abrir os olhos para reconhecer, pois sentia a força esmagadora da multidão.


O Fiel Fenway Park

A colisão entre música e esportes pode resultar em um jogo duplo mais dinâmico ainda. Há um respeito mútuo entre os 02 lados e quando você os colocam juntos na atmosfera certa, essa combinação pode gerar o mais feroz dos jogadores das grandes ligas. Tal foi o caso no Fenway Park, quando os ex-jogadores do Red Sox (time da casa), Bronson Arroyo e Kevin Youkilis, foram convidados para subir ao palco. Arroyo, que também é músico e ao longo da vida fã do PEARL JAM, se juntou à banda na guitarra acústica para uma versão estelar da canção "Black" (do 1º álbum, “Ten”, 1991) na 1ª noite, sendo que Youkilis ficou encarregado de entregar o instrumento ukelele para o vocalista Eddie Vedder tocar nos 02 shows. O aclamado jornalista de baseballl da cidade, Peter Gammons, também fez uma aparição.


O jogador David Ortiz foi lembrado diversas vezes ao longo das 02 apresentações, com a banda tocando a música "Faithfull" (do 5º disco, “Yield”, 1998) em sua homenagem. Eddie Vedder contou uma história ao público onde ele havia testemunhado uma grande jogada de Ortiz, que havia rebatido magicamente uma bola durante um jogo levantando toda a multidão.


Histórias na Cidade

Voltando ao campo, na 1ª noite, Eddie Vedder reservou um momento para compartilhar com a plateia um pedaço da história da banda. Ele havia relembrado sobre o 1º show do PEARL JAM em Boston, que foi num clube noturno chamado Axis. Eddie levava a sua máquina polaroide em cada show da banda durante os seus primeiros dias, mas infelizmente, ele teve as fotos confiscadas pelos seguranças do clube - Vedder acabaria por dar a última risada ao dizer como o segurança tentou rasgar as fotos e falhou na sua missão (eu não sei se você já tentou rasgar uma polaroide?)


Vedder também explicou como ele tirou com sucesso as fotos do Fenway Park durante essa parada da turnê, em uma missão a lá 007 para capturar algumas fotos (que foram compartilhadas no telão do estádio), já que o time de Boston está na corrida pelo campeonato. Vedder trouxe toda a plateia para um momento de gratidão enquanto ele e a banda estavam sentados no palco, relembrando essa história da polaroide que havia acontecido quase 25 anos atrás.


Honras

O PEARL JAM sempre mostrou um sincero apreço pelos livros de história da cidade - quando eles estão se apresentando na cidade em questão. Assim, tocando no maior e mais histórico local de esportes de Boston pela 1ª vez na vida, não foi de se estranhar a aparição do membro da banda AEROSMITH (grupo nativo de Boston), o baixista Tom Hamilton, no palco junto com o PEARL JAM. Ele juntou-se ao grupo no cover do AEROSMITH, a canção "Draw The Line", na 2ª noite. A banda havia estreado o cover desta clássica canção do AEROSMITH no início do 2º encore break ainda na 1ª noite.


A música "Down" (que ficou de fora do 7º álbum, “Riot Act”, 2002), tocada na 1ª noite, foi em homenagem a um dos nativos de Boston preferidos de Eddie Vedder, o falecido e grande historiador, Howard Zinn.


Vedder também falou sobre o atentado terrorista na maratona de Boston em 2013, apresentando na sequência a música “Yellow Moon” (do 10º e último álbum, “Lightning Bolt”, 2013). Ele descreveu para a plateia como o PEARL JAM estava no estúdio durante este atentado e que estavam trabalhando justamente nessa canção.


Por último, o frontman da banda DINOSAUR JR., J. Mascis, entrou no jogo pegando a sua guitarra para tocar o clássico cover de NEIL YOUNG, a canção "Rockin’ in The Free World", para a celebração durante o show final de Domingo.


Sentimentos

Houveram 02 acontecimentos em particular que foram incrivelmente e sinceramente expostos pela banda. Eddie falou ao público sobre um roadie do grupo, Matthew Plummer, que recentemente perdeu o seu pai. Na sequência, a banda apresentou emocionalmente o cover dos BEATLES em dedicação - que foi a música “I've Got a Felling”. Foi a 1ª vez que este cover foi tocado desde 2004! Na verdade, as últimas 03 vezes que a banda tocou esta canção dos BEATLES nos seus shows foram em Boston (1994, 2004 e 2016).


O 2º acontecimento foi logo após a execução da linda canção "Sirens" (do último álbum também), onde a plateia fez o coro à capela na parte final da música - emparelhando lindamente com o céu de verão que estava no momento – e Eddie falou ao público em tomar um momento para apreciar a preciosidade da vida. Ele, então, perfeitamente falou uma das suas melhores frases da noite, dizendo: "Nós estamos todos por conta própria neste mundo, mas juntos".


E assim caminha o PEARL JAM, por conta própria nos seus ideais e atitudes, mas sempre juntos com os seus fãs.


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